Definir o problema antes de escolher
Uma proposta técnica é mais útil quando parte do que acontece atualmente em cada vão. Convém distinguir entre correntes de ar, superfícies interiores frias, excesso de radiação solar, ruído, condensação, dificuldade de utilização, entrada de água ou falta de segurança. Vários problemas podem surgir ao mesmo tempo e nem sempre têm a mesma origem.
Também é importante registar quando surge o incómodo, em que divisão, com que orientação e sob que condições de vento, chuva ou temperatura. Esta informação permite estabelecer prioridades e evita escolher uma janela apenas pelo material, por um valor isolado ou por uma descrição comercial genérica.
- Problema principal e problemas secundários.
- Divisões e horários em que é sentido.
- Orientação, exposição e sombras existentes.
- Tipo de abertura e estado da janela atual.
- Estores, caixas, grelhas e outros elementos do vão.
- Objetivos de conforto, eficiência, acústica, segurança e utilização.
A janela deve ser avaliada como um conjunto
O resultado não depende de uma única peça. Aro, folha, vidro, juntas, ferragens, estore, caixa e ligação à parede devem funcionar de forma coerente. Um vidro avançado pode perder parte da sua eficácia se existirem infiltrações, pressão de fecho irregular ou uma junta periférica incompleta.
Para comparar propostas convém manter equivalentes as dimensões, a abertura, a distribuição das folhas e a composição do vidro. Só assim é possível saber se uma diferença resulta realmente do sistema ou de um âmbito de trabalhos diferente.
- Perfil e geometria do aro e da folha.
- Composição completa do vidro.
- Juntas e pressão de fecho.
- Ferragens, dobradiças, carros e fechos.
- Estore, caixa, guias e acionamento.
- Fixações, isolamento, selagens e remates.
Desempenho e envidraçamento
Os valores técnicos devem corresponder à configuração real e a dimensões identificadas. O Ug descreve a zona central do vidro, o Uf corresponde aos perfis e o Uw representa a janela completa. Em acústica, um valor do vidro não equivale necessariamente ao comportamento de toda a janela.
O envidraçamento pode combinar baixa emissividade, controlo solar, espessuras assimétricas, vidro laminado, películas acústicas, separadores de baixa condutividade e câmaras com gás. A composição deve responder ao clima, orientação, ruído, segurança e dimensão do vão, e não apenas ao número de vidros.
- Espessura e função de cada vidro.
- Largura das câmaras e gás utilizado.
- Baixa emissividade e fator solar.
- Transmissão luminosa.
- Laminados acústicos ou de segurança.
- Separador e comportamento do bordo do vidro.
- Peso total e compatibilidade com perfis e ferragens.
Orientação, clima e utilização da divisão
Uma fachada norte, um grande vão orientado a oeste e um quarto junto a uma avenida não necessitam necessariamente da mesma configuração. A radiação, as sombras, o vento, o horário de ocupação e a superfície envidraçada alteram a prioridade de cada janela.
No hemisfério norte, as fachadas com pouca radiação direta exigem normalmente atenção ao isolamento e à luz. As orientações sul, sudoeste e oeste podem precisar de controlo solar e proteção exterior. Quartos, salas, cozinhas, casas de banho e escritórios também apresentam necessidades diferentes de ruído, privacidade, ventilação e segurança.
- Orientação exata e horas de sol direto.
- Clima, altitude e exposição ao vento.
- Dimensão do vidro e sombras existentes.
- Horário e forma de utilização da divisão.
- Necessidade de privacidade, escurecimento ou acesso exterior.
- Possibilidade de ventilação cruzada.
Abertura, juntas e ferragens
A forma de abrir condiciona a estanquidade, ventilação, passagem livre, limpeza e espaço ocupado pela folha. As janelas de batente e oscilo-batentes comprimem normalmente juntas periféricas; as de correr utilizam carris, encontros e fechos diferentes. Os panos fixos eliminam juntas móveis, mas exigem outra solução para ventilar e limpar.
As dimensões e o peso devem ser compatíveis com dobradiças, compassos, carros e pontos de fecho. Uma folha desproporcionada pode perder regulação, roçar ou exigir mais esforço. O desempenho deve ser verificado para o mecanismo concreto e não para uma categoria genérica de abertura.
- Espaço disponível para o movimento das folhas.
- Pressão e continuidade das juntas.
- Número e distribuição dos pontos de fecho.
- Peso máximo admitido pelas ferragens.
- Altura dos puxadores e facilidade de acionamento.
- Limpeza segura da face exterior.
- Compatibilidade com estores, redes mosquiteiras e proteção solar.
Segurança de utilização e proteção do vão
A segurança deve adaptar-se ao piso, acessibilidade exterior, desnível, dimensões e pessoas que utilizam a divisão. Convém distinguir entre proteção contra intrusão, segurança perante impacto, prevenção de quedas e controlo de abertura por crianças.
Vidro, bites, ferragens, fechos, puxador, limitadores e fixação à parede formam uma cadeia. Nenhum componente torna o vão invulnerável; uma configuração coerente pode dificultar o acesso, reduzir oportunidades e limitar acidentes.
- Vidro laminado ou temperado conforme a função.
- Retenção do vidro e posição dos bites.
- Pontos de fecho distribuídos e fechos bem fixados.
- Puxadores com bloqueio ou limitadores quando necessários.
- Proteção contra quedas e entalamentos.
- Coordenação com evacuação, acessibilidade e ventilação.
A instalação mantém o desempenho na habitação
A janela deve ficar apoiada, nivelada, aprumada e fixada a um suporte resistente. O enchimento periférico pode isolar, mas não substitui os elementos de fixação nem as camadas necessárias para controlar o ar e a chuva. Uma guarnição cobre a junta; não fecha por si só um encontro aberto.
Na reabilitação deve decidir-se se a caixilharia anterior é totalmente removida ou parcialmente mantida. Conservá-la pode reduzir a obra, mas também diminuir a área de vidro ou manter deformações, humidade, infiltrações e pontes térmicas. Ombreiras, verga, peitoril, soleira e drenagem devem ser analisados com a janela.
- Estado da parede, pré-aro e aro anterior.
- Número, posição e tipo de fixações.
- Apoios e calços adequados ao peso.
- Isolamento periférico contínuo.
- Controlo do ar pelo lado interior.
- Proteção exterior contra chuva e radiação.
- Drenagem, peitoris, soleiras e remates.
Tanto o alumínio com rutura da ponte térmica como o PVC podem integrar uma solução adequada. A comparação deve ser feita entre janelas completas com as mesmas medidas, abertura e vidro. Não existe uma superioridade universal baseada apenas no material.
No alumínio contam a geometria, a profundidade, a separação térmica, as juntas, as uniões e a capacidade estrutural. No PVC importam a profundidade, a distribuição das câmaras, os reforços, as juntas e a fixação das ferragens. A profundidade da poliamida ou o número de câmaras são dados parciais e não substituem o Uw, a estanquidade, as dimensões nem a instalação.
- Desempenho da janela completa.
- Dimensões e peso admissíveis.
- Capacidade de envidraçamento.
- Juntas, ferragens e reforços.
- Acabamento, cor e exposição solar ou marítima.
- Manutenção e possibilidade de ajustar ou substituir componentes.
O que deve constar da proposta
Um orçamento útil identifica cada vão e explica todo o âmbito. Expressões como «vidro duplo», «montagem incluída» ou «janela acústica» não permitem comparar sem detalhar composição, abertura, desmontagem, selagem e remates.
As medidas iniciais e as fotografias servem para uma primeira avaliação. O fabrico deve basear-se numa medição técnica definitiva, depois de verificar suportes, folgas, abertura, estores, acessos e possíveis trabalhos de construção civil.
- Código, divisão, medidas e orientação de cada vão.
- Sistema, abertura, sentido e distribuição das folhas.
- Composição completa do vidro e desempenho disponível.
- Ferragens, puxadores, estores, caixas e acessórios.
- Manutenção ou remoção do aro anterior.
- Fixações, selagem interior e proteção exterior.
- Remates, construção civil, pintura, meios auxiliares e resíduos.
- Trabalhos incluídos e excluídos.
Erros frequentes a evitar
Muitas decisões incorretas resultam da comparação de elementos isolados ou da falta de definição da instalação. Um valor favorável pode não ser representativo quando corresponde a outro tamanho, a um vidro diferente ou apenas a uma parte da janela.
Também convém evitar expectativas absolutas. A substituição de janelas pode melhorar muito o conforto, mas o resultado continua relacionado com a fachada, cobertura, ventilação, instalações e forma de utilização da habitação.
- Escolher apenas pelo material, número de câmaras ou profundidade da poliamida.
- Comparar orçamentos com vidros e aberturas diferentes.
- Usar a mesma composição em todas as orientações.
- Ignorar a caixa do estore e as grelhas.
- Manter um aro antigo sem o inspecionar.
- Cobrir a periferia sem selar a junta em profundidade.
- Fabricar folhas demasiado grandes para uma utilização cómoda.
- Não definir limpeza, ventilação, segurança e manutenção.
Lista final de verificação
Antes de aceitar uma proposta, convém confirmar que a solução responde ao problema inicial e que todos os documentos descrevem a mesma configuração. Uma lista simples ajuda a detetar diferenças de âmbito antes do fabrico.
- Foi identificada a necessidade principal de cada vão?
- As medidas e a distribuição das folhas estão claras?
- O vidro está completamente descrito?
- Os valores de desempenho correspondem a essa medida e abertura?
- Foram analisados orientação, ruído, humidade e exposição?
- O estore e a caixa fazem parte da avaliação?
- Está explicado como a janela será desmontada e fixada?
- Estão definidos selagens, peitoris, soleiras e remates?
- A abertura é cómoda e segura para os utilizadores?
- As propostas comparadas têm realmente o mesmo âmbito?